Varizes Pélvicas: Diagnóstico por Ultrassom, Doppler e Importância Clínica na Síndrome da Congestão Pélvica

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Varizes Pélvicas: Diagnóstico por Ultrassom, Doppler e Importância Clínica na Síndrome da Congestão Pélvica

Instituto Arruda Câmara

As varizes pélvicas representam uma das principais causas de dor pélvica crônica em mulheres, frequentemente subdiagnosticada. Estão associadas à chamada Síndrome da Congestão Pélvica (SCP), condição caracterizada por dilatação e refluxo venoso no sistema pélvico.

O ultrassom com Doppler tem papel fundamental no diagnóstico inicial, sendo um método:

  • Não invasivo;
  • Dinâmico;
  • Reprodutível;
  • Acessível.

Diretrizes internacionais, incluindo a European Society for Vascular Surgery e a Society for Vascular Surgery, reconhecem a importância da avaliação por imagem no diagnóstico da insuficiência venosa pélvica.


1. O QUE SÃO VARIZES PÉLVICAS?

Varizes pélvicas correspondem à dilatação das veias do plexo venoso pélvico, especialmente:

  • Veias ovarianas;
  • Veias uterinas;
  • Plexo venoso parametrial.

Estão relacionadas a:

  • Insuficiência valvar venosa;
  • Refluxo venoso;
  • Aumento da pressão venosa pélvica.

2. FISIOPATOLOGIA

A principal causa é a insuficiência das veias ovarianas, levando a refluxo retrógrado e estase venosa.

Fatores associados:

  • Multiparidade;
  • Gravidez prévia;
  • Influência hormonal (estrogênio);
  • Compressões venosas (síndrome de May-Thurner, síndrome do quebra-nozes).

3. SÍNDROME DA CONGESTÃO PÉLVICA

A SCP é o principal contexto clínico das varizes pélvicas.

Sintomas clássicos:

  • Dor pélvica crônica (> 6 meses);
  • Piora em ortostatismo;
  • Piora no final do dia;
  • Dispareunia;
  • Sensação de peso pélvico;
  • Varizes vulvares ou perineais associadas.

4. PAPEL DO ULTRASSOM NO DIAGNÓSTICO

O ultrassom, especialmente o transvaginal com Doppler, é o exame inicial de escolha.

Achados ultrassonográficos principais:

  • Dilatação venosa: Veias pélvicas > 5–6 mm e veias tortuosas no paramétrio;
  • Fluxo lento: Baixa velocidade venosa e fluxo espontâneo reduzido;
  • Refluxo venoso: Identificado com manobra de Valsalva (fluxo retrógrado prolongado);
  • Plexos venosos dilatados: Aspecto em “rede vascular” com distribuição periuterina e ovariana.

Importante: O Doppler é essencial para confirmar o refluxo e diferenciar essas estruturas de outras lesões pélvicas.


5. TÉCNICA DO EXAME

Abordagem ideal:

  • Ultrassom transvaginal;
  • Avaliação com Doppler colorido e espectral;
  • Manobra de Valsalva obrigatória;
  • Avaliação em ortostatismo quando possível.

O que avaliar:

  • Veias ovarianas;
  • Plexo venoso uterino;
  • Fluxo venoso e Refluxo;
  • Veias ilíacas (quando possível).

6. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Critérios sugeridos na literatura:

  • Veias pélvicas dilatadas (> 5 mm);
  • Refluxo venoso > 1 segundo;
  • Fluxo lento (< 3 cm/s);
  • Presença de múltiplas veias tortuosas.

7. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

O ultrassonografista deve diferenciar as varizes de:

  • Endometriose;
  • Miomas;
  • Doença inflamatória pélvica;
  • Tumores ovarianos;
  • Varizes vulvares isoladas.

8. EXAMES COMPLEMENTARES

Quando necessário o aprofundamento diagnóstico:

  • Angiotomografia;
  • Ressonância magnética;
  • Flebografia (padrão ouro).

9. CONDUTA E TRATAMENTO

  • Conservador: Analgésicos e Terapia hormonal.
  • Intervencionista: Embolização das veias ovarianas e Tratamento endovascular.
  • Cirúrgico (casos selecionados): Ligadura venosa.

MODELO DE LAUDO PADRONIZADO

“Observam-se veias parametriais dilatadas, com diâmetro superior a 6 mm, associadas a fluxo venoso lento e refluxo ao Doppler durante manobra de Valsalva. Achados compatíveis com insuficiência venosa pélvica / varizes pélvicas.”


10. ARMADILHAS DIAGNÓSTICAS (PITFALLS)

  • Não realizar estudo com Doppler;
  • Avaliar apenas em decúbito dorsal;
  • Ignorar a manobra de Valsalva;
  • Confundir com vasos normais dilatados da gravidez;
  • Não correlacionar os achados de imagem com os sintomas clínicos.

CONCLUSÃO

As varizes pélvicas são uma causa frequente e subdiagnosticada de dor pélvica crônica.

O ultrassom com Doppler permite um diagnóstico inicial eficaz, avalia o refluxo venoso, orienta a conduta e evita exames invasivos desnecessários.

Em 2026, o domínio desse diagnóstico é essencial para médicos que atuam com ultrassonografia ginecológica e vascular.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  • European Society for Vascular Surgery — Clinical Practice Guidelines on Chronic Venous Disease
  • Society for Vascular Surgery — Guidelines for Venous Disorders
  • Radiographics — Pelvic Congestion Syndrome Imaging
  • Journal of Vascular and Interventional Radiology — Pelvic Venous Insufficiency
  • Ultrasound in Obstetrics & Gynecology — Pelvic Venous Disorders

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