A ultrassonografia com Doppler continua sendo o padrão ouro no diagnóstico de TVP dos membros inferiores.
Entre 2024 e 2025, recomendações da Society of Radiologists in Ultrasound (SRU), American College of Chest Physicians (ACCP) e European Society for Vascular Surgery (ESVS) trouxeram atualizações importantes em:
- Protocolos de compressão;
- Avaliação do fluxo;
- Investigação de trombose distal;
- Critérios de recanalização;
- Uso do Doppler colorido e espectral;
- Papel da elastografia.
NOVOS PADRÕES DE AVALIAÇÃO SEGUNDO A SRU (2024–2026)
Compressão é o critério mais importante
O diagnóstico prioritário permanece inalterado:
Regra de Ouro: Veia que não colaba por compressão = TVP até prova em contrário.
Locais de Avaliação
Locais obrigatórios:
- Veia femoral comum;
- Veia femoral superficial;
- Veia poplítea.
Locais recomendados:
- Veias tibiais;
- Veias fibulares;
- Veia safena magna e parva (quando sintomática).
Importância da TVP distal aumentou
Novos estudos mostram que a TVP distal sintomática tem risco maior de progressão do que se imaginava.
Recomendação 2026: Sempre avaliar segmentos tibiais e fibulares em pacientes de alto risco.
Doppler colorido e espectral têm peso maior no diagnóstico
As indicações principais para uso do Doppler são:
- Ausência de fluxo espontâneo;
- Perda de phasicity (fasicidade);
- Ausência de aumento de fluxo à compressão distal;
- Padrão monofásico proximal.
DIFERENCIAÇÃO ENTRE TVP AGUDA E CRÔNICA (2026)
Abaixo, a comparação direta entre os achados ultrassonográficos:
| Característica | TVP Aguda | TVP Crônica |
|---|---|---|
| Calibre da Veia | Veia distendida | Veia retraída |
| Ecogenicidade | Trombose hipoecoica | Trombose ecogênica |
| Fluxo | Ausência de fluxo | Recanalização parcial |
| Parede | Parede fina | Parede espessada |
| Sintomas/Outros | Dor importante à compressão | Vasa vasorum visível em MVI |
TÉCNICA DOPPLER ATUALIZADA
Para garantir o diagnóstico preciso, utilize os seguintes ajustes:
- PRF (Scale): Baixa velocidade (500–1000 Hz);
- Filtro de parede: Mínimo;
- Ganho: Alto, mas sem ruído excessivo;
- Correção de ângulo: Não necessária para diagnóstico de TVP (apenas para velocimetria arterial).
ERROS COMUNS
Evite estes falhas frequentes na rotina diagnóstica:
- Avaliar somente femoral comum e poplítea (protocolo incompleto);
- Ignorar trombose de safena magna;
- Usar PRF alto demais (perda de sensibilidade para fluxos lentos);
- Considerar fluxo de coloração como sinal definitivo de ausência de trombo (sempre comprimir!).
CONCLUSÃO
As diretrizes reforçam a importância da compressão, da análise espectral e da avaliação de segmentos distais.
O ultrassom continua sendo o método mais rápido, seguro e eficaz para o diagnóstico da TVP.
REFERÊNCIAS
- SRU – Venous Thrombosis Guidelines Update 2024
- ESVS – Venous Thromboembolism Standards (2025)
- ACCP – VTE Guideline Revisions 2025
- Radiology – Advances in Venous Doppler (2024–2025)
- JUV (Journal of Vascular Ultrasound) – DVT Deep Insights





