O ultrassom musculoesquelético do joelho é exame de primeira linha na avaliação de dor posterior, edema local e massa palpável na região poplítea.
Entre as causas mais frequentes está o Cisto de Baker, também chamado de cisto poplíteo, frequentemente associado a:
- Artrose;
- Sinovite inflamatória;
- Lesões meniscais;
- Derrame articular crônico.
Contudo, nem toda tumoração posterior é um cisto. A avaliação sistemática evita erros diagnósticos graves, como confundir trombose venosa profunda com ruptura de cisto.
1. ANATOMIA ULTRASSONOGRÁFICA DA REGIÃO POSTERIOR DO JOELHO
A fossa poplítea contém:
- Tendão do semimembranoso;
- Cabeça medial do gastrocnêmio;
- Artéria e veia poplítea;
- Nervos tibial e fibular comum.
O Cisto de Baker localiza-se tipicamente entre:
- Tendão do semimembranoso;
- Cabeça medial do gastrocnêmio.
Nota: Essa comunicação com a cápsula articular é o elemento-chave no diagnóstico.
2. CISTO DE BAKER — CARACTERÍSTICAS ULTRASSONOGRÁFICAS
Modo B
- Lesão anecoica ou hipoecoica;
- Contornos bem definidos;
- Reforço acústico posterior;
- Comunicação com a articulação;
- Pode conter septações ou debris.
Doppler
- Ausência de fluxo interno;
- Pode haver vascularização periférica discreta se inflamação associada.
3. MENSURAÇÃO E DESCRIÇÃO ADEQUADA
Sempre avaliar e descrever no laudo:
- Comprimento;
- Largura;
- Espessura;
- Presença de conteúdo interno complexo;
- Comunicação com cápsula.
4. RUPTURA DO CISTO DE BAKER
É uma complicação relativamente comum. A ruptura pode simular clinicamente trombose venosa profunda.
Achados:
- Extravasamento de líquido para a panturrilha;
- Coleção alongada entre planos musculares;
- Edema subcutâneo;
- Sintomatologia semelhante à TVP.
5. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS NA FOSSA POPLÍTEA
Trombose Venosa Profunda (TVP)
- Veia não compressível;
- Presença de trombo;
- Fluxo ausente ou reduzido ao Doppler;
- Sempre realizar avaliação vascular quando houver dor e edema.
Hematoma
- Conteúdo heterogêneo;
- Sem comunicação articular;
- Histórico traumático.
Tumores de partes moles
- Massa sólida;
- Vascularização interna ao Doppler;
- Contornos irregulares.
Aneurisma de artéria poplítea
- Estrutura pulsátil;
- Fluxo arterial ao Doppler;
- Pode conter trombo mural.
6. ASSOCIAÇÃO COM ARTROPATIA DO JOELHO
O Cisto de Baker raramente é isolado. É frequentemente associado a:
- Osteoartrite;
- Lesões meniscais;
- Sinovite crônica;
- Artrite reumatoide.
Por isso, a avaliação não deve limitar-se ao cisto.
7. AVALIAÇÃO COMPLETA DO JOELHO
Durante o exame MSK do joelho posterior, lembre-se de avaliar:
- Derrame articular;
- Espessamento sinovial;
- Cartilagem femoral;
- Compartimento medial e lateral;
- Tendões e ligamentos.
MODELOS DE LAUDO PRÁTICOS
CISTO DE BAKER:
“Coleção anecoica bem delimitada localizada entre o tendão do semimembranoso e a cabeça medial do gastrocnêmio, medindo 3,2 × 1,8 × 2,1 cm, com comunicação articular evidente. Achados compatíveis com Cisto de Baker.”
RUPTURA DE CISTO:
“Coleção líquida alongada entre planos musculares da panturrilha, sem fluxo ao Doppler, associada a pequeno cisto poplíteo residual. Achados sugestivos de ruptura de Cisto de Baker.”
8. ARMADILHAS DIAGNÓSTICAS
- Não avaliar sistema venoso;
- Confundir ruptura com TVP;
- Ignorar associação com artrose;
- Não investigar derrame articular;
- Avaliar apenas a massa e não a articulação.
9. CONDUTA CLÍNICA ORIENTADA PELO ULTRASSOM
- Assintomático → acompanhamento;
- Sintomático → tratar causa articular;
- Compressão vascular → avaliação especializada;
- Suspeita de TVP → anticoagulação imediata.
CONCLUSÃO
O ultrassom do joelho posterior é altamente resolutivo quando realizado de forma sistemática. Ele permite:
- Diagnosticar Cisto de Baker com precisão;
- Diferenciar de TVP e outras massas;
- Identificar ruptura;
- Avaliar causa articular associada.
Em 2026, o ultrassonografista deve integrar avaliação musculoesquelética e vascular, garantindo segurança diagnóstica e conduta adequada.
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
- AIUM Practice Parameter for Musculoskeletal Ultrasound
- ESSR Guidelines on MSK Ultrasound
- Radiology – Popliteal Cysts and Differential Diagnosis
- Journal of Ultrasound in Medicine – Baker’s Cyst Imaging
- Skeletal Radiology – Ultrasound of Posterior Knee Pathology





