O Doppler hepático é fundamental na avaliação de pacientes com hepatopatias crônicas, hipertensão portal, tromboses e disfunção vascular.
Entre 2024 e 2026, a AASLD, EASL e consensos internacionais reforçaram parâmetros, valores de referência e técnicas para aumentar a sensibilidade.
Neste guia atualizado, você verá como interpretar corretamente os principais padrões alterados, a partir das recomendações mais recentes.
ESTRUTURAS OBRIGATÓRIAS NO DOPPLER HEPÁTICO
- Veia porta;
- Artéria hepática;
- Veias hepáticas (supra-hepáticas);
- Veia cava inferior;
- Ductus venoso (em pediatria).
VEIA PORTA — PADRÕES NORMAIS E ALTERADOS
Normal:
- Fluxo hepatopetal (em direção ao fígado);
- Contínuo;
- Levemente fásico (modulado pela respiração);
- Velocidade média: 15–40 cm/s.
Alterações importantes:
- Forte fasicidade ou pulsatilidade → Sinal de insuficiência cardíaca direita / congestão hepática.
- Fluxo hepatofugal (invertido) → Marcador claro de hipertensão portal grave.
- Velocidade < 15 cm/s → Forte correlação com fibrose avançada e estase.
- Trombose portal parcial ou total → Nota 2026: MVI é superior para detectar canalículos residuais (cavernona).
ARTÉRIA HEPÁTICA — IP E RISCOS
Velocidade típica: 70–120 cm/s
IP normal: 0,55–0,7
Alterações:
- IP > 0,8 (Alta resistência) → Hepatite aguda grave, rejeição de transplante ou compressão extrínseca.
- IP < 0,5 (Baixa resistência) → Shunt arteriovenoso, ou hiperfluxo compensatório em cirrose avançada (efeito buffer).
VEIAS SUPRA-HEPÁTICAS — PADRÕES
Normal:
Padrão trifásico (ondas A, S, D bem definidas).
Alterações:
- Padrão bifásico → Congestão moderada ou hepatopatia inicial.
- Padrão monofásico (plano) → Congestão grave, cirrose avançada ou IVC rígida.
- Reversões sistólicas proeminentes → Insuficiência cardíaca direita severa (regurgitação tricúspide).
TÉCNICA ATUALIZADA (2026)
Para garantir a precisão dos padrões acima, utilize:
- PRF baixo na veia porta: 500–1000 Hz (para detectar fluxos lentos);
- PRF moderado na artéria hepática: 2–3 kHz;
- Ângulo: Sempre ≤ 60° para qualquer medida de velocidade;
- Foco: Posicionado exatamente na estrutura avaliada;
- Volume de amostra (Gate): Pequeno para artéria, médio para porta (abrangendo 2/3 do lúmen).
CONCLUSÃO
O Doppler hepático permanece essencial para estadiamento e diagnóstico vascular no fígado. Em 2026, com tecnologia mais sensível e o uso do MVI, a interpretação ficou ainda mais robusta e precoce, permitindo decisões clínicas mais seguras.
REFERÊNCIAS
- AASLD Vascular Liver Guidelines 2025
- EASL Portal Hypertension Protocol 2025–2026
- Radiology – Hepatic Doppler Advances
- WFUMB – Liver Doppler Standards
- UM&B – Portal Hemodynamics Studies





